Orquídeas têm reputação de difíceis — mas essa reputação vem de um único erro que a maioria das pessoas comete: tratar todas as orquídeas da mesma forma. Uma Phalaenopsis e uma Cattleya vivem em condições completamente diferentes na natureza, e exigir os mesmos cuidados das duas é o caminho mais curto para perder uma delas.
Este guia foi estruturado de forma diferente dos tutoriais genéricos. Você vai encontrar cuidados específicos para as espécies mais cultivadas no Brasil, um sistema de diagnóstico para identificar o que está errado quando a planta manda sinais, exemplos práticos de problemas reais com solução passo a passo, cuidados sazonais e informações sobre pragas e doenças com tratamento detalhado.
Entendendo as Orquídeas: O Que Elas São na Natureza
Antes de qualquer instrução prática, entender a origem das orquídeas muda completamente a forma de cuidar delas. A família Orchidaceae é a maior das famílias de plantas com flores — com mais de 28.000 espécies descritas, segundo o Royal Botanic Gardens de Kew (Londres) — e ocupa habitats que vão de florestas tropicais úmidas a regiões semi-áridas.
A maioria das orquídeas cultivadas em casa é epífita — cresce naturalmente sobre troncos de árvores, não no solo. Isso explica por que terra comum as mata: as raízes epífitas precisam de ar, não de solo compacto. Na natureza, elas absorvem umidade e nutrientes da chuva, do orvalho e da matéria orgânica que se deposita sobre os troncos.
Esse contexto define tudo: substrato poroso, rega com secagem entre os ciclos, luz filtrada pela copa das árvores e boa circulação de ar. Quando você replica essas condições em casa, a orquídea prospera.
Cuidados por Espécie: O Que Cada Orquídea Realmente Precisa
Phalaenopsis (orquídea borboleta)
A Phalaenopsis é a orquídea mais vendida no Brasil e no mundo — e com razão: é a mais adaptável ao ambiente interno. Originária do sudeste asiático, cresce em florestas de baixa altitude com temperatura relativamente estável.
Luz: luz indireta intensa. Janela voltada para leste é ideal — recebe sol suave da manhã sem o calor do sol da tarde. Folhas verde-escuras indicam pouca luz; folhas amareladas ou com manchas bronzeadas indicam excesso.
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Rega: o método mais eficaz para Phalaenopsis é a imersão semanal. Coloque o vaso (sem o cachepot decorativo) dentro de uma bacia com água por 15 a 20 minutos, deixe escorrer completamente e retorne ao lugar. Entre uma rega e outra, o substrato deve estar seco ao toque. Raízes verdes = úmidas; raízes brancas ou cinza = secas e prontas para regar.
Temperatura: entre 18°C e 29°C durante o dia. Para induzir floração, a Phalaenopsis precisa de uma diferença de temperatura entre dia e noite de pelo menos 5°C a 8°C por algumas semanas — é o gatilho natural de floração. Em apartamentos com ar-condicionado constante, isso pode ser um desafio.
Floração: cada haste pode durar de 2 a 6 meses. Após as flores caírem, corte a haste acima do segundo nó a partir da base — isso pode estimular uma segunda floração na mesma haste. Se a haste estiver amarela ou seca, corte rente à base.
Substrato ideal: casca de pinus média + perlita (70% casca, 30% perlita). Troque a cada 18 a 24 meses ou quando o substrato começar a se decompor e compactar.
Cattleya (orquídea corsage)
Nativa das Américas — incluindo o Brasil —, a Cattleya é conhecida pelas flores grandes e perfumadas. Exige mais luz que a Phalaenopsis e tem ciclo sazonal mais marcado.
Luz: precisa de luz intensa, mas ainda filtrada. Folhas devem ter cor verde-amarelada (não verde-escura) — esse é o indicador de luminosidade adequada. Janela com tela de proteção solar ou meia-sombra é ideal. Tolera algum sol direto pela manhã.
Rega: segue o padrão "molha e seca" com mais ênfase no período de seca. Durante o crescimento ativo (primavera e verão), regue quando o substrato estiver levemente úmido. No período de repouso (outono e inverno), reduza bastante — aguarde o substrato secar completamente por 1 a 2 dias antes de regar novamente.
Temperatura: tolera variação maior que a Phalaenopsis. Suporta de 13°C a 35°C, mas cresce melhor entre 18°C e 28°C. A variação de temperatura entre dia e noite é importante para a floração.
Floração: ocorre tipicamente uma vez ao ano, geralmente após o período de repouso. A formação de botões é estimulada pela diferença de temperatura noturna e pela redução de rega no inverno.
Substrato ideal: casca de pinus grossa + carvão vegetal + perlita. As raízes da Cattleya são mais grossas e precisam de ainda mais aeração que as da Phalaenopsis.
Dendrobium
Gênero muito diverso com mais de 1.800 espécies. Os Dendrobium cultivados no Brasil são principalmente os tipos Nobile (flores ao longo dos canes) e Phalaenopsis-type (flores em hastes como a Phalaenopsis).
Dendrobium Nobile: precisa de um período de repouso seco e frio no outono/inverno (temperaturas abaixo de 15°C à noite) para florescer na primavera. Sem esse período de estresse controlado, produz brotos no lugar de flores.
Dendrobium tipo Phalaenopsis: cuidados similares à Phalaenopsis, mas com maior tolerância ao calor e necessidade de mais luz.
Rega geral: durante o crescimento, rega regular com secagem entre ciclos. No repouso, rega mínima — apenas para evitar que os pseudobulbos murchem completamente.
Substrato ideal: casca de pinus fina a média + musgo esfagno. Dendrobium tolera musgo melhor que Cattleya por ter raízes mais finas.
Oncidium (chuva de ouro)
Produz hastes longas com dezenas de flores pequenas em amarelo. É relativamente rústico e tolerante.
Luz: prefere mais luz que a Phalaenopsis — tolera sol direto suave pela manhã. Folhas com leve tonalidade amarelada são sinal de boa luminosidade.
Rega: regue quando o substrato estiver seco a 2 cm de profundidade. Pseudobulbos levemente enrugados indicam que precisam de água.
Floração: ocorre tipicamente no outono/inverno, estimulada pela queda de temperatura. Uma haste pode ter de 20 a 100 flores e dura de 3 a 6 semanas.
Vanda
Orquídea monopodial (cresce verticalmente sem parar) com raízes aéreas muito desenvolvidas. Muito comum no litoral brasileiro.
Necessidade especial: as raízes da Vanda ficam expostas ao ar — ela é frequentemente cultivada em cestos de madeira abertos ou pendurada sem substrato algum. As raízes absorvem umidade diretamente do ar e da rega diária.
Rega: diária em climas quentes e secos (borrifar as raízes abundantemente), a cada 2 a 3 dias em climas úmidos. As raízes devem estar verdes (úmidas) durante boa parte do dia.
Luz: de todas as orquídeas de cultivo popular, a Vanda é a que mais precisa de luz — suporta e prefere sol direto por algumas horas.
Sistema de Diagnóstico: O Que a Planta Está Dizendo
Esta é a seção que responde diretamente à intenção de busca mais comum: o que fazer quando algo está errado. Cada sinal visual tem uma causa específica — e uma solução específica.
Folhas amareladas
Causa mais comum: excesso de luz direta ou excesso de rega/raízes apodrecidas.
Como diferenciar: folhas amarelas com manchas bronzeadas ou descoloração nas pontas = excesso de luz. Folhas amarelas começando pela base, com substrato sempre úmido = excesso de rega ou raízes comprometidas.
O que fazer: se for luz, mova a planta para local com mais sombra. Se for rega, remova a planta do vaso, verifique as raízes (veja diagnóstico de raízes abaixo) e ajuste a frequência de rega.
Causa secundária: deficiência de magnésio — amarelamento das folhas mais velhas com veias permanecendo verdes. Nesse caso, aplique sulfato de magnésio diluído (1g por litro de água) na rega.
Folhas com manchas escuras ou encharcadas
Causa mais provável: podridão bacteriana (Erwinia spp.) ou fúngica, favorecida por excesso de umidade nas folhas ou rega noturna.
Como identificar: mancha encharcada de bordas escuras que avança rapidamente, às vezes com odor.
O que fazer imediatamente:
- Remova a folha afetada com tesoura esterilizada (passe álcool 70% na lâmina)
- Aplique canela em pó sobre o corte — tem ação antifúngica e antibacteriana comprovada em plantas
- Evite molhar as folhas por pelo menos 2 semanas
- Melhore a circulação de ar ao redor da planta
Se a mancha estiver no pseudobulbo ou no caule, o problema é mais sério — pode ser necessário remover toda a parte afetada até atingir tecido saudável (firme e verde).
Raízes marrons, moles ou com cheiro ruim
Causa: podridão radicular por excesso de rega, substrato compactado ou falta de drenagem.
Como agir passo a passo:
- Retire a planta do vaso com cuidado
- Remova todo o substrato velho das raízes
- Corte todas as raízes marrons ou moles com tesoura esterilizada — raízes saudáveis são firmes, brancas ou verdes
- Deixe a planta fora do substrato por 2 a 4 horas para que os cortes sequem (forma uma barreira natural contra infecção)
- Aplique fungicida em pó (Captan ou similar) nos cortes
- Replante em substrato novo e seco
- Não regue por 3 a 5 dias — a planta precisa desenvolver novas raízes antes de absorver água
Exemplo prático: uma Phalaenopsis com substrato que nunca secava completamente em apartamento sem ventilação. Após 4 meses, as raízes estavam 80% marrons. Após o tratamento acima e mudança para rega por imersão semanal, a planta emitiu 6 novas raízes em 2 meses e voltou a florescer na estação seguinte.
Folhas murchas ou enrugadas apesar da rega
Causa: raízes danificadas que não conseguem absorver água, mesmo que ela esteja disponível. Paradoxalmente, esse sinal pode indicar tanto excesso quanto falta de rega no passado.
Como investigar: retire do vaso e verifique as raízes. Se estiverem marrons e moles, é podridão (veja acima). Se estiverem brancas e ressecadas, a planta ficou sem água por tempo excessivo.
Para raízes ressecadas: imersão prolongada (30 a 40 minutos) por 3 dias consecutivos pode reidratar as raízes. Após isso, retome a rega semanal normal.
Nenhuma flor por mais de 12 meses (Phalaenopsis)
Causa mais comum: ausência de diferença de temperatura entre dia e noite ou luminosidade insuficiente.
O que fazer: coloque a planta em um local onde a temperatura noturna seja pelo menos 5°C mais baixa que a diurna por 3 a 4 semanas (próximo a janela no outono, por exemplo). Mantenha a rega normal. Após esse período, uma nova haste floral deve começar a emergir da base das folhas em 4 a 8 semanas.
Raízes saindo do vaso e crescendo para fora
Isso não é problema — é sinal de que a planta está saudável e as raízes buscam mais ar e umidade. Raízes aéreas em Phalaenopsis são completamente normais e não precisam ser enterradas ou cortadas. Se as raízes estiverem verdes e firmes, deixe-as.
Se o vaso estiver muito cheio de raízes e o substrato não couber mais, esse é o momento ideal para transplantar para um vaso maior (apenas 2 a 3 cm maior que o atual — vasos muito grandes acumulam umidade em excesso).
Pragas e Doenças: Identificação e Tratamento
Cochonilha (Pseudococcus spp.)
Como identificar: pequenos insetos brancos cobertos por uma substância cerosa, semelhante a algodão, geralmente na base das folhas, pseudobulbos e nas junções entre folha e caule.
Dano: sugam a seiva da planta, causando folhas amareladas, crescimento lento e, em infestação grave, morte da planta.
Tratamento:
- Remova manualmente com um cotonete embebido em álcool isopropílico 70%
- Aplique solução de sabão de coco neutro (1 colher de chá por litro de água) em toda a planta
- Para infestações graves: óleo de neem diluído a 0,5% com emulsificante (sabão) — aplique semanalmente por 3 semanas
- Isole a planta afetada das demais imediatamente
Ácaro (especialmente Tetranychus urticae)
Como identificar: pequenas manchas prateadas ou bronzeadas nas folhas, teia fina na parte inferior das folhas (sinal de infestação avançada). Os ácaros são microscópicos — difíceis de ver a olho nu.
Condição favorável: ambiente seco e quente (abaixo de 40% de umidade relativa).
Tratamento:
- Lave as folhas com água corrente, especialmente a parte inferior
- Aumente a umidade ao redor da planta com bandeja de seixos com água
- Aplique óleo de neem ou sabão inseticida semanalmente por 4 semanas
- Em infestação grave, use acaricida específico (Vertimec ou similar) conforme bula
Pulgão
Como identificar: insetos pequenos (verde, preto ou marrom) agrupados em botões florais, hastes e folhas novas. Produzem substância pegajosa que atrai formigas.
Tratamento: solução de sabão neutro (1%) em spray, aplicada 2 a 3 vezes por semana por 2 semanas. Álcool isopropílico em cotonete para remoção manual. O pulgão é o mais fácil de controlar entre as pragas comuns.
Lesma e caracol
Como identificar: furos irregulares nas folhas e flores, com trilha de muco visível pela manhã.
Tratamento: armadilha com cerveja (recipiente raso com cerveja próximo às plantas), granulado de metaldéído ao redor dos vasos, ou coleta manual à noite com lanterna.
Fusariose (Fusarium oxysporum)
Como identificar: murcha súbita de um lado da planta, descoloração roxa ou marrom no interior do pseudobulbo ao cortar transversalmente, apodrecimento da base.
Causa: fungo que se instala em ferimentos mal cicatrizados — por isso a esterilização de ferramentas de corte é fundamental.
Tratamento: não há cura para fusariose avançada. Remova imediatamente as partes afetadas com tesoura esterilizada, aplique fungicida sistêmico (Tecto 500 ou similar) e isole a planta. Em casos graves, descarte para não contaminar outras plantas.
Cuidados Sazonais: Adaptando a Rotina ao Longo do Ano
A maioria dos guias ignora a sazonalidade — mas as orquídeas respondem ao ciclo das estações mesmo em ambiente interno, e adaptar os cuidados ao longo do ano faz diferença real na saúde e floração.
Primavera (setembro a novembro)
É o período de crescimento mais ativo para a maioria das espécies. As orquídeas saem do repouso invernal com energia para emitir novas raízes, folhas e hastes florais.
Ajustes na rotina:
- Aumente gradualmente a frequência de rega à medida que as temperaturas sobem
- Retome a adubação quinzenal com fertilizante balanceado (NPK 20-20-20 ou específico para orquídeas)
- Verifique se o substrato precisa ser trocado — a primavera é o melhor momento para transplantes
- Aumente a exposição à luz gradualmente para estimular o metabolismo
Verão (dezembro a fevereiro)
Calor intenso e maior evaporação — as orquídeas precisam de mais atenção à hidratação, mas sem exagerar.
Ajustes na rotina:
- Rega pode ser necessária 2 vezes por semana em clima muito seco
- Evite posicionar próximo a janelas com sol da tarde — o calor é excessivo
- Borrife as raízes aéreas e folhas com água nas manhãs mais quentes
- Mantenha boa circulação de ar — o calor sem ventilação favorece fungos e bactérias
- Use bandeja com seixos e água abaixo do vaso para aumentar a umidade local sem encharcar as raízes
Atenção ao ar-condicionado: corrente de ar frio direto resseca e estressas a planta. Se o aparelho estiver próximo, reposicione ou direcione o fluxo de ar para longe das plantas.
Outono (março a maio)
Transição importante. As temperaturas começam a cair e algumas espécies iniciam o período de repouso.
Ajustes na rotina:
- Reduza gradualmente a rega à medida que as temperaturas caem
- Diminua a adubação para metade da dose ou use formulação com menos nitrogênio (favorece o amadurecimento dos tecidos em vez do crescimento)
- Para Cattleya e Dendrobium Nobile, o outono é o início do período de repouso — comece a reduzir a rega
- Verifique se há pragas antes do inverno — infestações se instalam com mais facilidade em plantas enfraquecidas pelo frio
Inverno (junho a agosto)
A maioria das orquídeas cresce mais devagar. Algumas precisam do frio para florescer.
Ajustes na rotina:
- Reduza a rega para 1 vez por semana ou menos — o substrato seca mais devagar com temperatura baixa
- Reduza ou suspenda a adubação para Cattleya e Dendrobium em repouso
- Aproveite a variação de temperatura noturna natural para estimular a floração da Phalaenopsis
- Proteja de correntes de ar frio de janelas abertas em noites frias — a diferença de temperatura é benéfica, mas corrente de ar direto e frio pode causar manchas e podridão nas folhas
Importante: não mova a planta repentinamente de um ambiente aquecido para um frio. A transição deve ser gradual — cada mudança brusca de temperatura causa estresse.
Substrato, Vaso e Transplante: O Que Realmente Funciona
Tipos de substrato e quando usar cada um
Casca de pinus: o substrato mais versátil e mais usado. Disponível em granulometrias diferentes — use fino para plantas com raízes delicadas (Dendrobium, mudas), médio para Phalaenopsis adulta, grosso para Cattleya. Dura de 18 a 24 meses antes de começar a decompor e compactar.
Musgo esfagno: retém mais umidade que a casca. Ideal para orquídeas que precisam de maior hidratação e para o enraizamento de mudas. Cuidado: em ambientes com pouca ventilação, o musgo mantém umidade excessiva e favorece podridão. Troque anualmente.
Carvão vegetal: adicionado em pequena quantidade (10 a 15%) ao substrato, melhora a drenagem, absorve impurezas da água e tem ação antibacteriana moderada.
Perlita e vermiculita: materiais inertes que melhoram a aeração e a drenagem. A perlita é mais leve e porosa; a vermiculita retém mais umidade. Use de 20 a 30% na mistura.
Terra comum: nunca use para orquídeas epífitas. Compacta, não drena e asfixia as raízes.
Quando transplantar
Transplante quando:
- O substrato estiver se decompondo (fica marrom escuro, pastoso e com cheiro de terra)
- As raízes estiverem saindo abundantemente pelo fundo do vaso e não couber mais substrato
- Houver podridão radicular que exija limpeza das raízes
- A planta estiver visivelmente inclinada e sem estabilidade
O melhor momento é sempre no início da primavera, quando as novas raízes começam a emergir. Transplante com as novas raízes ainda pequenas (até 2 cm) — elas se adaptam melhor ao novo substrato.
Vaso ideal
Vaso transparente: permite monitorar a cor das raízes sem tirar a planta. Raízes verdes = substrato úmido; raízes brancas/cinzas = hora de regar. É a melhor opção para Phalaenopsis.
Vaso de barro/cerâmica: poroso, permite evaporação pelas paredes e reduz o risco de encharcamento. Bom para Cattleya, que precisa de mais aeração e ciclos de seca mais marcados.
Cesto de madeira aberto: ideal para Vanda e outras orquídeas com raízes muito aéreas.
Tamanho: o vaso deve ser apenas 2 a 3 cm maior que o sistema de raízes. Vaso muito grande acumula substrato úmido sem raízes para absorver a água — ambiente perfeito para fungos.
Adubação: Proporções e Cronograma Real
O fertilizante mais indicado para orquídeas é o NPK balanceado diluído a 50% da dose recomendada na embalagem — menos é mais. Orquídeas são plantas de nutrição lenta e se adaptaram a ambientes com poucos nutrientes disponíveis.
Cronograma prático:
Na primavera e verão (crescimento ativo), use fertilizante com mais nitrogênio (ex: NPK 30-10-10 ou similar) a cada 15 dias para estimular crescimento de folhas e raízes.
No outono, mude para formulação mais equilibrada ou com mais potássio (NPK 10-10-30) para amadurecimento dos pseudobulbos e preparação para floração.
No inverno, reduza para uma vez por mês ou suspenda completamente para espécies em repouso.
Regra prática: "fertilize fraco, sempre" (fertilize weakly, weekly) — fertilizante em concentração muito baixa a cada rega é melhor do que dose alta esporádica. Use 1/4 da dose indicada na embalagem a cada rega, em vez de dose cheia a cada 15 dias.
Erros Comuns com Solução Prática
Regar no horário errado
Regar à noite deixa a planta úmida durante as horas mais frias — condição ideal para fungos. Regue sempre pela manhã para que as folhas e o substrato sequem durante o dia.
Usar água com muito cloro ou muito fria
Água da torneira com alto teor de cloro pode ser usada, mas deixe descansar em um recipiente aberto por algumas horas antes — o cloro se dissipa. Água muito fria (direto da torneira em dias frios) causa choque térmico nas raízes. Use sempre água em temperatura ambiente.
Borrifar as folhas excessivamente
Borrifar as folhas aumenta a umidade, mas deixar água acumulada nas axilas das folhas e no centro da roseta cria ambiente para podridão bacteriana. Se borrifar, faça apenas pela manhã e assegure que as folhas sequem completamente antes do anoitecer.
Não esterilizar ferramentas de corte
Tesouras não esterilizadas transmitem vírus e fungos de uma planta para outra. Passe álcool 70% na lâmina entre cada corte. Para suspeita de vírus (manchas com padrão em mosaico nas folhas), use a chama para esterilizar.
Mover a planta com frequência
Orquídeas em floração são especialmente sensíveis a mudanças de posição — os botões podem cair. Defina o local ideal e mantenha a planta ali. Se precisar mover, recoloque sempre na mesma orientação em relação à luz.
Checklist de Cuidados Mensais
Semanalmente
- [ ] Verificar umidade do substrato antes de regar
- [ ] Inspecionar folhas e raízes por sinais de pragas
- [ ] Verificar se há água acumulada no prato/cachepot (esvaziar se houver)
Quinzenalmente
- [ ] Aplicar fertilizante diluído (na fase de crescimento ativo)
- [ ] Verificar se as raízes aéreas estão saudáveis
Mensalmente
- [ ] Inspecionar substrato — está se decompondo?
- [ ] Verificar se o vaso ainda comporta as raízes
- [ ] Limpar as folhas com pano úmido para remover poeira (melhora a fotossíntese)
- [ ] Registrar floração, adubação e qualquer problema observado
Sazonalmente
- [ ] Ajustar frequência de rega conforme a estação
- [ ] Ajustar formulação do fertilizante (mais N na primavera, mais K no outono)
- [ ] Verificar necessidade de transplante no início da primavera
Perguntas Frequentes
Por que minha orquídea não floresce depois de 1 ano? A causa mais comum é a ausência de variação de temperatura entre dia e noite. Coloque a planta próxima a uma janela no outono, onde a temperatura noturna seja pelo menos 5°C mais baixa que a diurna por 3 a 4 semanas. Luminosidade insuficiente também atrasa a floração — folhas verde-escuras demais indicam pouca luz.
Posso usar terra de jardim misturada com casca de pinus? Não. A terra compacta quando misturada com casca e impede a aeração das raízes. Mesmo em pequena quantidade, compromete a drenagem. Use apenas componentes específicos para orquídeas.
Com que frequência devo trocar o substrato? A cada 18 a 24 meses para casca de pinus, e anualmente para musgo esfagno. O indicador mais confiável é a decomposição: quando o substrato ficar escuro, pastoso e começar a compactar, é hora de trocar independentemente do tempo.
Minhas orquídeas ficam em varanda coberta. Isso é adequado? Sim, é frequentemente ideal — especialmente para Phalaenopsis e Cattleya. A varanda coberta oferece luz natural intensa sem sol direto e ventilação natural, que é melhor do que o ar parado de ambientes internos fechados. Apenas proteja em noites de frio intenso (abaixo de 10°C).
O que fazer com a haste floral depois que as flores caírem? Em Phalaenopsis: corte acima do segundo nó a partir da base — pode gerar nova floração na mesma haste. Se a haste estiver seca ou amarela, corte rente à base. Em Cattleya e Dendrobium: corte rente à base após as flores caírem — essas espécies não reflorescem na mesma haste.
Posso usar fertilizante comum de jardim? Não é o ideal. Fertilizantes para jardim em geral têm concentrações muito altas que podem queimar as raízes delicadas das orquídeas. Use fertilizante específico para orquídeas diluído à metade da dose recomendada, ou fertilizante líquido genérico em concentração muito baixa (1/4 da dose indicada).
Conclusão: Consistência é Mais Importante que Perfeição
O maior inimigo das orquídeas em casa não é o esquecimento eventual de uma rega ou a luminosidade imperfeita — é a inconsistência. Regar demais por uma semana e esquecer por duas, mudar de lugar toda semana, misturar vários fertilizantes diferentes: esse padrão irregular estressa a planta muito mais do que qualquer condição ligeiramente fora do ideal.
Escolha uma rotina simples baseada no tipo de orquídea que você tem, siga-a de forma consistente e use os sinais visuais descritos neste guia para ajustar quando necessário. Com isso, a maioria das orquídeas responde com saúde e floração regular — sem precisar de nenhuma técnica especial, apenas atenção e consistência.
Próximo passo: identifique a espécie que você tem (Phalaenopsis é a mais provável se você comprou em floricultura), verifique em qual situação as raízes estão agora (vaso transparente facilita isso) e ajuste a rega de acordo. Esse diagnóstico inicial já resolve a maioria dos problemas.


